Engenharia e Construção

O momento vivido pela indústria de engenharia no Brasil é de imensas oportunidades e também de imensos obstáculos a serem superados para que essas oportunidades sejam aproveitadas.
No campo das oportunidades podemos citar as oriundas dos grandes eventos que serão sediados no Brasil muito em breve (principalmente Copa 2014 e Olimpíadas 2016), demandas vindas do consumo da classe média emergente, assim como uma dívida de infra-estrutra que tem de ser paga no curto prazo. O país é um dos piores do mundo em termos de saneamento básico e sua infra-estrutura de transporte em qualquer modalidade (Aérea, Naval, Rodoviária, Ferroviária) é insuficiente sequer para atender a demanda atual, sendo um dos principais entraves ao crescimento do país, pois torna o processo de produção lento e oneroso, baixando a competitividade e limitando o crescimento do Brasil. Produção de energia e sua distribuição é outro enorme desafio.
Os requisitos de crescimento de produtividade no Brasil, que possam garantir a sustentabilidade no longo prazo, a melhoria da renda e de seu perfil distributivo pressupõem uma estratégia de ter tecnologia, conhecimento e produzi-los localmente. Aí entramos nos quesitos de obstáculos à engenharia brasileira, centrada em escassez de mão-de-obra qualificada em todos os níveis, tanto para execução, como para pesquisa e desenvolvimento (P&D). É patente nossa grande diferença em relação ao mundo no que tange à baixa escolaridade superior e ao perfil de seu ensino superior e pós-graduação, incluindo aqui a engenharia. Deve-se notar a capacidade da engenharia de transformar os conhecimentos das ciências básicas em tecnologiasavançadas, que impulsionam o desenvolvimento econômico e contribuem para a melhoria da qualidade de vida do ser humano, mas também que ela retroalimenta o processo de P&D, fornecendo demanda a este. Nos EUA 36% dos pesquisadores tem formação em engenharia, nas mais diversas áreas.
O Brasil tem hoje uma relação de seis engenheiros para cada mil profissionais economicamente ativos. A França tem 15 engenheiros para cada mil. Estados Unidos e o Japão têm 25. Citando os países do BRIC a Rússia forma cerca de 100
mil engenheiros ao ano, a Índia 200 mil, a China 300 mil e o Brasil apenas 23 mil, quando deveria formar pelo menos mais 40 mil novos enge heiros por ano. Não basta quantidade, porém. Os profissionais devem ser formados com alta qualidade, caracterizada por sólidos conhecimentos de sua área, mas também devem ter capacidade de trabalhar em equipes multidisciplinares e ter senso de responsabilidade
ética e profissional.
Há bons exemplos de desenvolvimentos tecnológicos feitos no Brasil como osavanços que tornaram o Brasil líder na exploração e produção de óleo e gás em
águas profunda; a criação de uma indústria aeronáutica nacional, cujos projetos de construção de aeronaves para uso civil e militar têm obtido ótimo desempenho no
mercado mundial; a produção de biocombustíveis, como alternativa energética que contribui para a melhoria da qualidade ambiental e para a valorização das atividades rurais e atendendo aos compromissos assumidos no Protocolo de Kyoto, de redução
da emissão de gases causadores do efeito estufa. Todos esse projetos tem em comum o fato de terem empresas focadas emdesenvolver e reter a tecnologia, com controles que garantam a efetiva gestão do conhecimento, sem depender apenas dos profissionais, que podem deixar a empresa em cenários de ofertas constantes da concorrência.
O cenário atual requer que, com poucos recursos humanos qualificados, o setor seja capaz de:
• Aumentar a velocidade da execução de projetos sem perdas de qualidade;
• Garantir que o conhecimento seja mantido na empresa e seja construído
incrementalmente por grupos eventualmente distantes fisicamente, sem perda
de capital intelectual caso algum técnico deixe a empresa;
• Simplificar o gerenciamento de oportunidades e garantir um fluxo de trabalho
eficiente que gere propostas com rapidez e precisão, não deixando escapar as
oportunidades que o mercado oferece;
• Ter universidades corporativas com baixo custo e altamente eficientes,
baseada em metodologias de ensino a distância que qualifiquem os
trabalhadores até em locais de difícil acesso, como plataformas off-shore ou
em canteiros de obras em localidades distantes;
• Garantir que as experiências bem sucedidas se transformem em práticas
rotineiras da empresa, sendo divulgadas e integrando bancos de
conhecimento;
Garantir relacionamento ágil e descomplicado com a cadeia de fornecedores.